terça-feira, 28 de agosto de 2012

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Lolla Malcolm ganhou seu primeiro videogame em 1998, ao sair do hospital depois de uma cirurgia de amígdalas. Chegando em casa, apesar da sensação de costura interna, Lolla se divertiu bastante com seu primo Théo jogando Crash e Pandemonium no Playstation 1. Ela não tinha muita paciência para Pandemonium, principalmente porque não conseguia passar de fase. Seu primo a fazia rir com os comentários do jogo e ela se sentiu feliz por ter que comer tanto sorvete. Depois desse dia, ela comprou os jogos do Hércules e das Spice Girls. Este último não atendeu as expectativas de Lolla por ser muito fã das Spice. O jogo consistia em bonequinhas parecidas com cada uma delas interpretando suas músicas. Lolla nunca entendeu porque se deram o trabalho de fazer um jogo tão inútil. Lolla passou a usar o jogo das Spice Girls apenas para acompanhar as músicas, cantando em seu inglês infantil. Uma vez foi surpreendida no meio de uma performance de “Viva forever” pela mãe que a escutava por de trás da porta. A mãe interrompeu a música emocionada e Lolla levou um susto que a deixou mais constrangida. Parou de cantar na hora, desligou o videogame e repetiu “não, mãe, pára” até a mãe deixar o quarto. O fato é que “Viva forever” era uma canção que Lolla gostava de cantar com emoção. Mas não uma emoção que ela se sentisse confortável para compartilhar com a mãe. Ou com qualquer outra pessoa.

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