terça-feira, 28 de agosto de 2012
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Lolla Malcolm estuda Comunicação Social na Universidade de Brasília e até hoje não sabe exatamente pra que se serve sua graduação. Quando pequena, sonhava em ser atriz de novela. Não de cinema, de novela. No cinema as pessoa só falavam em inglês, pensava ela, e ela não tinha tido a sorte de nascer americana. No cinema ela só ia nos fins de semana, quando ia e quando gostava. As novelas passavam na casa dela, na casa da vó dela, na casa das amigas dela, e na mini-televisãozinha que o porteiro do seu prédio tinha. Ou seja, todo mundo via. Ela gostava das cenas de drama, nos tapas que as mocinhas davam nos vilões e dos beijos apaixonados. Quando se juntava com seus primos na casa da avó, Lolla escrevia diálogos incompreensíveis para que seus primos atuassem. Mas ela se frustrava sempre. Os primos não eram talentosos, não sabiam interpretar seu texto. Ela sentia que ela sabia, mas se ela não ensinasse aos primos, a brincadeira acabaria, porque não dá pra ensinar e ser Maria do bairro ao mesmo tempo. Então ela se via detentora das duas funções fundamentais da brincadeira e a coisa toda acabava. Mas mesmo assim ela continuava com os diálogos, que anotava em uma agenda feia de couro da avó.
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