sexta-feira, 14 de setembro de 2012
13
Lolla Malcolm certa vez pensou que nunca faria sexo. Lolla pensou esse tipo de coisa com apenas 14 anos, quando toda terça-feira tinha aula de educação sexual na escola. Enquanto a professora ensinava a colocar um preservativo em uma banana e explanava sobre a gama de responsabilidades que a relação sexual exige, Lolla sentiu preguiça. Pensar em conversar sobre o assunto era muito cansativo. Lolla imaginava se as pessoas assinavam contratos antes de se deitar umas com as outras, traçando os limites que aquela atividade iria ter. Na sua realidade da época, Lolla não se imaginava tendo esse tipo de conversa com nenhum garoto ao redor. Nenhum deles era capaz de pronunciar a palavra “pênis” sem que ela estivesse inclusa em contexto de piada ruim. Lolla achava a relação dos garotos com seus respectivos órgãos um pouco doentia. Ela não era uma garota tímida, nem tinha padrões morais que a impedissem de avaliar a situação com leveza, mas Lolla se incomodava profundamente quando via um pênis ereto desenhado em sua carteira da escola. Aquilo não a ajudava a se habituar a idéia de um dia ter que interagir com aquele ser cheio de veias e possuidor do líquido da morte: aquele que, uma vez depositado em seu canal vaginal, acabaria com todos os seus sonhos futuros. Lolla olhava com piedade os casais adolescentes que se atracavam no corredor. Ela, pelo menos, não teria que se preocupar em arranjar um lugar adequado, lubrificante eficaz, camisinha segura, anticoncepcional em dia, a dor do hímem e uma série de etceteras. Ela estava livre disso. É fato que, eventualmente, todas essas questões foram superadas. Mas Lolla ainda considera a relevância de seus argumentos da época.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário